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autor Janielly Santos
21/11/2013 23:33:34 - Atualizado em 21/11/2013 23:33:34 cadastre sua notícia/anúncio grátis

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Conheça a "fábrica de burros"

Haras do cantor Eduardo Araújo quer exportar híbridos de jumento e de égua de primeira linha para o mundo. 

Editora Globo

O burro sempre foi subestimado. Incansável na lida no campo e dócil na montaria, o animal não é reconhecido há séculos – literalmente, já que poucos sabem diferenciá-lo de jumentos, jegues e asnos (confira no quadro abaixo quais são as diferenças). Agora, um cantor da Jovem Guarda quer valorizar o burro (e a mula, sua fêmea), que pode custar até R$ 150 mil, e torná-lo um “animal de patrão”. Em seu haras, em Araçoiaba da Serra (SP), Eduardo Araújo criou sua “fábrica de burros”. A produção tem características fordistas, visto que é possível produzir os animais com rapidez, e de customização, uma vez que dá para fazer animais sob encomenda, moldando suas características ao gosto do freguês, segundo o cantor. 



Nascido em Joaíma, no norte mineiro, Araújo sempre esteve ligado à vida no campo. Seu pai, Lídio Araújo, fornecia burros e mulas para produtores de cacau e cana da região. Dentre os animais do pai de Eduardo, havia um pequeno grupo de jumentos pêga com pelagem “pampa”, malhada. Anos depois, Araújo acabou herdando os animais. A ideia da “fábrica” foi do cirurgião plástico Antônio Almeida, hoje parceiro de Araújo no projeto, que ficou maravilhado com o porte de Congo da Aliança, um dos descendentes dos jumentos do pai do cantor. “Foi o Antônio que me aconselhou a criar muares com a linhagem do Congo. Na hora, perguntei se ele achava que o burro era eu, mas no fim a iniciativa se mostrou acertada”, diz o cantor. 

Editora Globo

Tropa de burros com égua matriz
 

Os burros são fruto do cruzamento de Congo com outras oito éguas matrizes da raça manga-larga marchador. Sete dias após a fecundação, o embrião é retirado da matriz e colocado em uma égua receptora, que se torna a responsável por gerar o filhote nos próximos 12 meses. Dessa forma, a égua matriz fica disponível para produzir novos burros e mulas. “Ao invés de a matriz ter um filho por ano, ela pode ter oito ou nove no mesmo período”, segundo Araújo. Junto com a rapidez, os diferentes cruzamentos fazem com que Araújo “programe” os animais com as características que quiser. “Conforme os filhotes foram nascendo, começamos a ver que, de acordo com a matriz, poderíamos produzir animais com uma determinada pelagem, por exemplo. É um tipo de alquimia muito interessante.” 



De acordo com ele, a produção de animais em escala com matrizes de primeira linha é algo comum para bois e cavalos, mas ele é o único a utilizar a tecnologia em muares. “Fazemos algo que ninguém faz na raça, que é produzir muares com um diferencial genético. Nosso objetivo é obter animais com morfologia e genética diferenciadas, promovendo uma melhora genética da raça”, afirma. 

Editora Globo

O cantor Eduardo Araújo com um produto de sua "fábrica"
 

Desde a primeira conversa com seu parceiro no projeto, já se passaram quase dois anos. Primeiro, foi necessário ensinar Congo da Aliança a montar nas éguas, já que o natural é que ele seja atraído por jumentas; depois, foi necessário mais tempo para escolher as matrizes apropriadas e mais um ano de gestação das éguas receptoras. O primeiro burro da “fábrica” foi Carnaval, nascido há dez meses. Nenhum dos 20 burros e mulas já nascidos foi colocado à venda. “Só vamos colocar os animais à venda em cerca de dois anos, quando eles estiverem mansos.” Enquanto o cantor não vende os animais, ele comercializa coberturas de seu jumento – isto é, ele “aluga” Congo para donos de éguas. Além disso, Araújo vende embriões do jumento. 



Em todo esse processo de “fabricação” dos muares, também houve espaço para deixar a linha de produção cada vez melhor. “Um dos nossos burrinhos foi inseminado em uma égua que não conseguia amamentar. Outra acabou dando à luz um animal morto. Essas receptoras tiveram de ser afastadas do processo, pois a fábrica só vai colocar à venda produtos espetaculares”, afirma o cantor. Os burros de Araújo continuam incansáveis, mas não serão vendidos para trabalhar no campo. Para o cantor, os jegues (forma pejorativa para se referir a um animal vulgar, sem raça) perderam sua função. “Os jegues estão em extinção, porque foram substituídos por motos, caminhões e máquinas no trabalho pesado. Os produtos da “fábrica” serão voltados para concursos de marcha e montaria. “Os burros e mulas são mais dóceis e resistentes que cavalos.Tem muita gente que utiliza os animais em romarias e para o lazer em geral”, declara o cantor. Quando fala de potenciais compradores, Araújo não esconde o otimismo: “Nós queremos vender burros para o mundo”. Quando perguntado sobre o preço de seus animais, o cantor diz que ainda não pensou nisso. “Em leilões, vi mulas serem vendidas por R$ 150 mil. Mas, por enquanto, estou apenas motivado a criar animais de qualidade e morfologicamente perfeitos. Antes do dinheiro, faço esse trabalho por paixão.” 

 

FIM DA CONFUSÃO: A DIFERENÇA ENTRE JUMENTO, JEGUE, ASNO, BURRO E MULA 

Entender qual animal é qual não é muito difícil. Primeiro, basta saber que jumento, jegue e asno são sinônimos para o mesmo animal, que é chamado de forma diferente de acordo com a região onde está. Quando o jumento cruza com uma égua (a fêmea do cavalo), o resultado pode ser um burro ou uma mula – o primeiro é macho e a segunda é fêmea.



Tanto o burro quanto a mula não podem ter filhos. No entanto, esses animais herdam pontos fortes de seus pais: eles têm a resistência do jumento e a beleza de suas mães – caso a égua que gerou o burro tenha genes de primeira linha, é possível que seu filho herde até o caminhar elegante dos cavalos. 

Editora Globo

 

Fonte: Adriano Lira & Fotos Ernesto de Souza


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