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autor Luiz Carlos
11/06/2010 15:30:15 - Atualizado em 11/06/2010 15:30:16 cadastre sua notícia/anúncio grátis

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Municípios aguardam homologação da emergência no Ceará

Municípios já decretaram estado de emergência, no entanto, esperam a homologação por parte da Defesa Civil.
Oito municípios no Ceará já decretaram estado de emergência em face da seca verde que provocou queda elevada na produção agrícola de sequeiro e escassez de água para abastecimento das famílias de áreas rurais. Os decretos já foram encaminhados para a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) e aguardam homologação por parte do órgão. Esse número deve aumentar nos próximos dias porque a situação no campo piora a cada semana.

Mais uma vez o sertão cearense sofre com a seca. As chuvas ficaram bem abaixo da média. A lavoura de sequeiro (aquela que depende das chuvas) de milho e de feijão foi a mais afetada. No sertão, o verde da mata e do plantio, nesta época do ano, confunde o visitante. Mas quem se aproxima das roças percebe que os grãos não germinaram e a queda da safra em muitos municípios chega a 80%.

Até ontem, a Cedec recebeu decretos de emergência de Acopiara, Alto Santo, Boa Viagem, Mombaça, Jati, Monsenhor Tabosa, Tauá e Canindé. "Esse número deve aumentar", prevê o coordenador Executivo da Defesa Civil, no Ceará, coronel William Lopes. "Há vários municípios afetados com a estiagem e a situação é crítica".

Segundo o coordenador Executivo da Cedec, nenhum decreto municipal de situação de emergência foi homologado pelo Estado. "Não basta encaminhar apenas o decreto", explicou. "É preciso enviar o relatório de avaliação de perdas, fotos, mapa e relatório da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil". Após o recebimento da documentação necessária, técnicos da Cedec irão a campo, nos municípios, visitar as áreas afetadas e confirmar a situação de emergência. "Estamos solicitando das Prefeituras a documentação complementar", disse o coronel Lopes. "Depois da homologação, o documento será encaminhado para a Secretaria Nacional de Defesa Civil, no Ministério da Integração Nacional".

O Governo do Estado ainda estuda a possibilidade decretação de emergência. Os dados encaminhados pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) sobre perda da lavoura e pela Cedec estão em análise na Procuradoria Geral do Estado. Muitos municípios ainda não decretaram situação de emergência, pois aguardam uma definição do governador Cid Gomes, porquanto o decreto estadual tem abrangência geral.

Perda média

A mais recente avaliação de perda de safra feita pela Ematerce registra um índice de 63,9%, em média, no Estado. "Esse percentual deve crescer para algo em torno de 68%", disse o assessor técnico da Ematerce, Walmir Severo Magalhães. "No próximo dia 15, faremos avaliação da primeira quinzena de junho". Sobre a decretação estadual de situação de emergência, Severo acredita que o Governo deva decidir logo. "É fundamental para a prorrogação das dívidas de financiamento agrícola".

O secretário de Agricultura de Acopiara, Carlos Aragão, disse que não havia condições de esperar por uma decisão do governador. "A nossa situação é crítica, por isso tivemos que baixar o decreto de emergência. Tivemos perda na lavoura em torno de 80% e os pequenos reservatórios estão secos, pois não houve recarga de água".

Em Acopiara, há 15 caminhões-pipas que distribuem água para duas mil famílias. "Esse número tende a aumentar porque todos os dias representantes de comunidades procuram a Secretaria, solicitando abastecimento de água. Em 2009, as chuvas provocaram arrombamento de pequenos reservatórios e neste ano não houve recarga", disse ele.

Os agricultores estão desolados. As roças praticamente foram abandonadas. Não há produção. "Neste ano, não teremos milho verde nas festas juninas", disse o agricultor, Antônio Rosa da Silva, que plantou dois hectares de milho e feijão na localidade de Tipis, zona rural de Acopiara. "Talvez aproveite 10% ou nem isso". Silva contou que fez três plantios, mas o trabalho foi em vão. "Perdi tudo".

Situação crítica

No sertão cearense, as histórias são semelhantes. A seca afetou praticamente todos os municípios. Apenas, 18 não registraram perda da lavoura acima de 50%, conforme dados da SDA.

Em Mombaça, a situação é considerada crítica porque em muitas localidades sequer houve plantio. "Por aqui ninguém plantou porque não choveu", disse o produtor rural Pedro Lima, na localidade de Zorra. "Não houve produção, falta água e o gado enfrenta dificuldade de alimentação". Quadro semelhante ocorreu nas regiões dos Inhamuns, Sertão de Crateús e Sertão Central. Em Boa Viagem, o secretário de Agricultura, Jonas Vieira, disse que as chuvas neste ano não chegaram a 200 milímetros. "Há um século não chovia tão pouco assim. A perda na lavoura chega a 90%".

Em Boa Viagem, a cultura de milho registra perda total e a de feijão 90%. "O agricultor só vai tirar feijão para comer e em alguns casos talvez ainda não seja suficiente", disse Vieira. "A nossa salvação será o Seguro Safra que vai atender 6.800 famílias". Outra preocupação das autoridades locais é com a falta de pasto para o gado. São três mil criadores que já começam a enfrentar dificuldades. "O quadro é de preocupação".

Perda

63,9 por cento é o índice médio atual de perda da lavoura no Estado do Ceará, de acordo com estimativa da Ematerce. Esse percentual deve crescer para algo em torno de 68%.

Fonte: Diário do Nordeste


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