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autor Luiz Carlos
27/05/2010 16:42:13 - Atualizado em 27/05/2010 17:42:03 cadastre sua notícia/anúncio grátis

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Compradores são forçados a pagar mais pela arroba

Apesar dos frigoríficos continuarem pressionando os preços da arroba do boi gordo, nesta semana registramos alta de preços, que voltaram aos patamares da 1ª semana do mês. Esta valorização foi causada, basicamente, pela baixa disponibilidade de ofertas e encurtamento das escalas de abate.
Na semana o indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista acumulou alta de 1,22%, sendo cotado a R$ 81,20/@, na última quarta-feira. O indicador a prazo foi cotado a R$ 81,87/@, registrando variação positiva de 1% no período analisado (19/05 a 26/05). Em maio, até o momento, este indicador apresentou valorização de 0,12%.

Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&F, relação de troca, câmbio
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Os contratos de boi gordo na BM&FBovespa também acumularam alta durante a semana. O primeiro vencimento, maio/10, que será liquidado na próxima segunda-feira, terminou o pregão de ontem (26/05) valendo R$ 81,45/@, com variação positiva de R$ 0,90 na semana. Outubro/10 registrou valorização de R$ 0,95, fechando a R$ 85,77/@.

Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa e contratos futuros de boi gordo (valores à vista), em 19/05/10 e 26/05/10
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No mercado físico, os frigoríficos seguem tentando pressionar os preços da arroba, alegando que o mercado da carne não vai bem e a exportação não está evoluindo como desejado. Porém a oferta de animais ainda se mostra restrita e a de maneira geral as escalas estão curtas, e este fator tem tirado um pouco da força dos compradores que na última semana precisaram pagar mais para completar suas programações de abate.

A notícia do pedido de recuperação judicial do Frialto. Como aponta o analista de pecuária do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) - órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) -, Otávio Celidônio, 42 municípios do norte do Estado tinham como opção ao abate uma das três plantas do Frialto, porém 15 destes terão agora apenas um grupo para negociar o gado, que em alguns casos será ou o Pantanal ou o JBS/Friboi. "No entanto, a capacidade de abate do médio norte mato-grossense, que escoava os bovinos para Sinop, ficou 100% comprometida, e para piorar houve um reflexo imediato após a paralisação dos abates. A arroba do boi naquela região desvalorizou R$ 1,60, tanto no norte como no médio norte, e R$ 1 na média mato-grossense, em apenas três dias".
O superintende da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, lamenta que o Frialto tenha recorrido à Justiça, e entrado para o rol de mais um grupo com a atividade ameaçada. "Até ontem enxergávamos um cenário, agora a recuperação é fato e vamos fazer de tudo para o Frialto volte a ser viável e reconquiste seu espaço no mercado. Porém, a quebradeira geral de pequenos e médios frigoríficos no Brasil é fruto da falta de políticas públicas que dêem suporte financeiro ao segmento. Será que antes de chegarem a esta situação, tanto o Frialto como o Quatro Marcos e o Independência, não foram atrás de crédito? Agora, fica para o mercado, melhor, para os pecuaristas o ônus de menos empresas em atividade e maior concentração de plantas nas mãos de poucos grupos, como vemos hoje aqui no Estado, com o Marfrig e o JBS/Friboi".
Apesar do tom da crítica, Vacari afirma que mais uma vez a entidade vai acompanhar o processo. "O Frialto é uma importante marca no Estado, é estratégica ao criador e sempre teve excelente postura. Vamos sentar juntos e viabilizar a melhor solução".
Segundo a Acrimat, a capacidade de abate bovino de Mato Grosso continua comprometida. Levantamento solicitado pela Associação ao Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que 33,67% da capacidade de abate do Estado esta comprometida, apesar dos acordos firmados nas Assembleias Gerais de Credores, dos frigoríficos Independência, Arantes e Quatro Marcos, que enfrentam processos de recuperação judicial. A capacidade total de abate no Estado segundo registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Indea (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso), é de 38.056 mil cabeças/dia, e hoje, 12.815 animais não têm onde ser abatidos. Das 40 plantas, apenas 23 estão funcionando.

Com o fechamento de três unidades do Frialto, a situação do pecuarista ficou mais delicada. O Frialto é responsável por 6,49% da capacidade de abate no estado, mas na região do Médio Norte ele corresponde a 58,26% e na região Norte é de 24,86%. "O fechamento dessas unidades do Frialto já reflete diretamente no preço da arroba do boi gordo, onde o pecuarista recebe de 2 a 3 reais menos pela arroba que nas demais regiões", comentou o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Ele ressalta que "a situação só vai reverter quando políticas públicas sérias forem voltadas para os pequenos e médios frigoríficos, que precisam de linha de crédito para fluxo de caixa".
A queixa de falta de recursos para os frigoríficos de menor porte é compartilhada pelo produtor rural e presidente da Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte), Fernando Porcel. Indignado ele disse que "o BNDES libera recursos para os grandes frigoríficos sem limites, mas para os pequenos o procedimento é bem diferente. Nós conhecemos as barreiras de crédito enfrentadas pelo Frialto". Porcel disse que estão todos apreensivos esperando a divulgação do plano de recuperação judicial do Frialto. "Enquanto isto, estamos vendendo nosso gado pressionados pelas contas que estão vencendo, depois dessas contas pagas, vamos ver o que vamos fazer".

Na reposição, o indicador foi cotado a R$ 726,53/cabeça nesta quarta-feira, registrando desvalorização de 0,14% em uma semana. Em maio a variação acumulada é de +0,19%. Com estas variações a relação de troca melhorou, ficando em 1:1,84. Porém ainda está em um do níveis mais baixos da série história, evidenciando que está complicado realizar a a reposição do rebanho no momento.
O leitor do BeefPoint, André Fioravanti, de Dracena/SP, informou que vendeu bezerros desmamados com 9 meses de idades a R$ 740,00/cabeça, para pagamento à vista. Ele completa dizendo que na sua região o mercado segue aquecido e falta produto.
Cláudio José Fonseca Borges, de Betim/MG, esta semana , que vendeu machos Nelore desmamados de 7 meses a R$ 600,00/cabeça. "O mercado de reposição está travado, com recriadores não aceitando os preços de reposição. Dois meses atrás, consegui R$ 700,00 por cabeça num lote bastante semelhante ao vendido esta semana."
Segundo o Boletim Intercarnes, o mercado da carne bovina está mais ativo e especulativo com relação a procura (atacado), dentro do que vinhamos observando desde o início da semana. Isto evidentemente está acontecendo em função das ofertas (carne com osso), que está sinalizando volumes mais reduzidos e também maior posicionamento do distribuidores para a virada do mês e início de junho. Os preços no atacado se mostram mais firmes, porém não totalmente definidos. Com a melhor recuperação que se observa na procura o mercado começa a apresentar mais equilíbrio e a tendência é de maior estabilidade e preços mais definidos que tendem a se firmar no decorrer da próxima semana.
No atacado paulista, o traseiro foi cotado a R$ 6,20, o dianteiro a R$ 4,20 e a ponta de agulha a R$ 3,90. O equivalente físico foi calculado em R$ 76,82/@, com variação positiva de 4,42% na semana. O spread (diferença) entre indicador de boi gordo e equivalente físico recuou para R$ 4,39/@.
Tabela 2. Atacado da carne bovina
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Rússia anuncia restrições às importações de carne de alguns frigoríficos brasileiros

O Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário da Rússia (Rosselkhoznadzor) informou em seu site que "a partir de 30 maio de 2010 irá introduzir restrições temporárias ao fornecimento de produtos de origem animal de alguns frigoríficos brasileiros para a Rússia".

Segundo informações do serviço russo tais medidas serão aplicadas aos estabelecimentos de SIF 385, 545, 1156, 1778, 2019, 1926, 2500, 3712. Dentre eles estão plantas da JBS S.A. e Marfrig Alimentos S.A.

O BeefPoint tentou entrar em contato com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina para mais esclarecimentos, mas até o momento ainda não fomos informados sobre os motivos de tal restrição. Conforme conseguirmos mais informações iremos disponibilizá-las no site.


Fonte: André Camargo - Zootecnista formado pela FZEA - USP e analista de mercado do BeefPoint


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