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autor Luiz Carlos
06/04/2010 16:35:24 - Atualizado em 06/04/2010 16:36:30 cadastre sua notícia/anúncio grátis

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Queda de preços da soja

\"\"Enquanto uma colheitadeira trabalha a poucos metros de distância, o fazendeiro Santiago Oneto Gaona recolhe dois grãos e os leva à boca. "Esta soja está perfeita", comenta com orgulho, interrompendo em seguida a colheitadeira para evocar o testemunho do operador: "Alguns lotes aqui estão dando 5,3 mil quilos por hectare. Pergunte a ele".

Depois de ter se formado engenheiro agrônomo em Buenos Aires, Santiago fez o caminho do interior e se instalou em Venado Tuerto, no sul da Província de Santa Fé, região cuja produtividade da soja é 50% acima da média nacional. Em algumas áreas, chega-se a colher até 7 mil quilos por hectare. Com investimentos em máquinas modernas e no que há de mais inovador em sementes, o fazendeiro espelha a forte competitividade da agricultura argentina e também retrata seus desafios.

Dos 5 mil hectares de terras que possui, Santiago cultiva a metade com soja. Ainda assim, costuma fazer uma rotação entre a oleaginosa, o trigo e o milho. Mas essa é uma prática, segundo ele, que cada vez menos gente na região está disposta a adotar. Na Argentina, os pequenos produtores são apelidados de "gringos", e os gringos estão deixando outras culturas para se dedicar exclusivamente à soja. É um resultado, diz o fazendeiro, das políticas oficiais.

"A produção mais barata aqui na Argentina, a que menos precisa de fertilizantes e agroquímicos, é a da soja. E a única que não tem uma intervenção forte do governo", resume. Na verdade, o governo fica com 35% de tudo o que se vende de soja ao exterior - as chamadas retenções. Pelo menos, não há obstáculos para a comercialização e à exportação, além de controles de preços no mercado interno.

Mesmo assim, de acordo com um estudo da Bolsa de Comércio de Rosario, a rentabilidade para o produtor está no patamar mais baixo dos últimos 20 anos na Argentina, período que inclui a paridade cambial de um por um entre peso e dólar. Na época da conversibilidade, a retenção estava em 3,5% do total exportado, mas a taxa foi subindo para 20% (março de 2002), 27,5% (janeiro de 2007) e 35% (novembro de 2007).

Em julho de 2008, atingiu o recorde de 48%, quando estourou a crise do campo e a presidente Cristina Kirchner enfrentou a pior crise política de sua gestão. A retenção voltou a 35%, mas o dólar está relativamente estável há sete meses, o que afeta a rentabilidade das exportações, com uma inflação anual de 20%. "Enquanto a soja continuava subindo de preço, os gringos não notavam todos esses problemas. Ganhavam cada vez mais e não se incomodavam com a tributação", afirma Santiago. O drama apareceu com a estiagem que quebrou a safra 2008/09 e provocou forte endividamento.

A ameaça de queda dos preços internacionais é o novo fantasma na região. Em março, Santiago fechou contratos a US$ 242 por tonelada, mas acredita que esse preço dificilmente se repetirá em abril e maio. "Os produtores querem vender rápido para pagar dívidas. E, se tiverem que pagá-las, conseguir US$ 220 é excelente, porque a soja pode baixar de US$ 200 com os resultados das safras argentina e brasileira." Por isso, Santiago prefere estocar e vender só a partir de agosto, quando espera uma cotação melhor. "Pretendo vender acima de US$ 240, mas o produtor de 300 hectares não pode se dar ao luxo de esperar tanto."

Esse não é o único problema. Santiago ainda não conseguiu comercializar toda a produção de trigo da safra passada, devido à superoferta no mercado doméstico, não pelo aumento da produção, mas pela proibição de exportar. E há o drama recente do diesel.

Há sinais de escassez. Santiago tenta manter um estoque de 20 mil litros - uma colheitadeira consome 500 litros por dia -, mas não consegue. Os preços subiram de 3 pesos no fim do ano para mais de 3,5 pesos agora. "Na última compra, pedi 8 mil litros e só me entregaram 3 mil. Com um detalhe. Os distribuidores não aceitam pagamento à vista. Preferem abrir conta e receber tudo depois, mas calculam o volume de litros vendidos e cobram com o preço do diesel já reajustado", afirma.

Outro problema para os exportadores eclodiu na sexta-feira, quando a China fechou as portas para o óleo de soja argentina. Pequim alegou problemas técnicos, mas no mercado comentava-se que a medida é uma reação às medidas antidumping da Argentina contra produtos chineses. A China é a maior importadora de soja do mundo. (DR)

Fonte: Valor Econômico


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