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autor Eduardo Marcos
04/02/2018 18:43:58 - Atualizado em 04/02/2018 19:02:29 cadastre sua notícia/anúncio grátis

Notícias Ecologia Agro Sustentável

Quando falar é um desperdício

“O ativista não é aquele que diz que o rio está sujo. O ativista é aquele que limpa o rio. - Ross Perot.”

O começo: Foi na década dos anos 1950, que a palavra "poluição" começou a ser ouvida com mais freqüência, iniciando assim, estudos sobre os efeitos negativos sobre o meio ambiente.  Logo na década seguinte, anos 60, a preocupação passou dos cientistas para as pessoas comuns, que começaram a sofrer as consequências na vida quotidiana.

O dia 15 de junho do ano 1972, na cidade de Estocolmo, na Suécia, a Assembléia Geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, designou o 5 de junho como o "Dia Mundial do Meio Ambiente". Os delegados reunidos nessa ocassão recomendaram 196 medidas que os governos e as organizações internacionais deveriam considerar para impedir a contaminação do solo, da água e do ar, visando aprofundar a consciência universal da necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente.

Introdução leve: Se procurarmos uma definição simplista para “Meio Ambiente”, é só olhar em volta pra entender que ele é, a soma total do que está em nosso entorno, incluindo os seres vivos e as forças naturais. É quem proporciona as condições para o desenvolvimento e crescimento de toda vida existente no planeta terra, sendo que, o composto das interações entre plantas, animais, solo, água, temperatura, luz, etc. podem mudar, de acordo a suas alterações, a qualidade do habitat,.

No contexto atual, podemos ver que uma parte da sociedade em geral (não em sua totalidade), vem adotando uma maior consciência sobre os níveis de poluição e, paulatinamente observando algumas ações de mudança de atitude.

O ruim da questão: Segundo dados da Abrelpe, no Brasil, no ano 2016 o total dos resíduos urbanos coletados foi de 71,3 milhões de toneladas, um índice de cobertura de coleta de 91% para o país, sendo que esta quantidade teve um pequeno retrocesso com o ano anterior (2015), evidenciando o catastrófico resultado de que 7 milhões de toneladas de resíduos não foram objeto de coleta e, conseqüentemente, não tiveram um destino apropriado.

O informe é bem completo, significativo e com boa quantidade de dados, mas acredito que é bom parar neste parágrafo para analisar o que o informe diz e não explica: “Se eles não tiveram um destino apropriado” a onde foram a parar aqueles 7 milhões de toneladas de resíduos não coletados ? Se eles não foram reciclados e aterrados, qual foi seu destino? 

Obvio e claro. Não existe magia nem foi aplicada nenhuma tecnologia alternativa e ecologicamente correta pra fazer sumir do pais 7 milhões de toneladas de lixo. A pior noticia é que, como resposta, tem que considerar varias opções de destinos possíveis: a rua, o mar, os rios, o mato, o campo, etc.,

Resultado? o brasileiro convive com 7 milhões de toneladas de lixo sem processar .

Mas aqui não termina a parte ruim do relato. O informe diz que, referente à disposição final dos RSU coletados, a situação demonstrou piora comparado ao índice do ano anterior, e que o caminho da disposição inadequada continuou sendo utilizado por 3.331 municípios brasileiros, que trasladaram mais de 29,7 milhões de toneladas de resíduos para lixões controlados.

Controlados? Sim, aterros controlados... Ainda bem!!

Mas isso não quer dizer que seja uma boa noticia. Antes de ficar aliviados pela aclaração, se continuamos lendo o informe, em duas linhas é derrubado todo o otimismo que essa palavra possa sugerir. O informe também aclara que estes aterros, não possuem o conjunto de sistemas e medidas necessários para proteção do meio ambiente contra danos e degradações!!

É pra destacar que em todo o pais estão presentes unidades inadequadas como lixões e aterros controlados, e que estão recebendo mais de 81 mil toneladas de resíduos por dia, com um elevado potencial de poluição ambiental e impactos negativos para a saúde.

A parte mais difícil.  Na historia, enquanto as populações humanas eram pequenas e sua tecnologia modesta, o impacto no seu meio ambiente era local. Hoje, no nosso dia, por um processo de constante crescimento, a humanidade exige o uso mais intenso dos recursos naturais. A utilização desmedida deles tem causado a deterioração dos ecossistemas e dos próprios recursos. À medida que as florestas e outros não renováveis são reduzidos, o conjunto dos ecossistemas se torna mais vulnerável à destruição, à poluição e à erosão. Todos estes fatores combinados ou isolados causam o declínio e perda de muitas espécies. 

Mas, neste nefasto teatro forjado pela humanidade a través dos anos, tem um ator no reparto que é parte de certo sector da sociedade com um papel preponderante nesta obra. Um papel que possivelmente é o mais difícil de interpretar, porque é aquele que trata de contribuir com idéias, projetos e ações para corrigir ou minimizar os efeitos da depredação humana. O Ambientalista. 

O Ambientalista é que têm como foco de conflito as ações nocivas do ser humano contra a natureza, o mais complexo, o mais difícil de resolver, o ato que quase nunca termina com final feliz. O Ambientalista é aquele que as vezes luta contra moinhos de vento e que continua mesmo com o sem publico, porque a ”vida” deve continuar.

A existência do Ambientalista não é fácil. A vida do Ambientalista não se resume, pelo contrario se complica. O Ambientalista tem muitos desafios no dia a dia, mais frustrações que alegrias, mas ele tem uma condição que poucos possuem, e que sustenta sua luta desigual: a convicção.

Entre estas inconveniências que surgem na sua tarefa corriqueira, uma é clave. Um grande desafio, uma empresa difícil e complicada, porque tem que lidar com componentes humanos nefastos, pois em certa instancia precisa de se relacionar com setores de definição normativa e condutiva: o poder Político. Este poder Político, geralmente escolhe e designa “via dedo” aos representantes das áreas de governo, não pela sua trajetória profissional ou experiência na especialidade designada, mas sim pelo compromisso político, sendo que essa falta de “compromisso” com a causa a defender, no percurso da rotina do agente público acaba gerando sintomas de desídia, desinteresse, falta de consciência e/ou oportunismo.

E é nessa situação que o Ambientalista estará envolvido. Depois de ter passado horas a queimar teclados, coletando e selecionando informações e cálculos para finalmente ser transformados em relatórios e projetos, tem outra instancia que não está incluída nas incumbências de sua profissão e que, talvez eu diga, tem mais a ver com a psicologia e a oratória. Esta tarefa extra não é mais do que uma preocupação séria, que começa a ter peso no momento de fazer uma avaliação final de sua apresentação perante um funcionário público, porque, ao mesmo tempo, ele deve ter em mente que na cabeça de seu interlocutor existem duas linhas de pensamento: a) qual será seu benefício b) qual será seu redito político.

Sensibilizar os funcionários políticos das áreas responsáveis, da gravidade dos problemas regionais, da sua projeção e do fio fraco que atualmente mantém o mundo em seu equilíbrio ecológico é a tarefa mais difícil, e é aqui onde as boas idéias sucumbem e as boas intenções afundam, porque muitas vezes as soluções ambientais não são visíveis no curto prazo e os retornos, de qualquer tipo, não são interessantes..

A geração de resíduos é constante na vida do ser humano, cada segundo uma pessoa gera desperdícios e é por isso que, as medidas, a conscientização e a educação não podem, nem devem ser um evento sazonal.

E o que fazemos agora? Ainda há um longo caminho a percorrer e há muito que pode ser feito com a participação de todos os setores. Em primeiro lugar, as antigas estruturas de pensamento devem ser descartadas, devem se reverter os costumes enraizados e, acima de tudo, abrir o caminho para as novas tecnologias. 

“Se todos resíduos da produção da cana de açúcar fossem reaproveitados para a geração de energia, o potencial energético gerado seria maior que o da usina de Itaipu”, é a palavra da pesquisadora Regina Helena. As 13 maiores culturas de plantio praticadas no país totalizam por ano 291, 1 milhão de toneladas de resíduos. O total energético gerado seria de 22.999 MW/ano.

Na pecuária, se considerados os dejetos da criação e da indústria primaria, o que soma 1.705 bilhões de toneladas de resíduos, gerariam um potencial energético de apenas 1.300 MW/ano. A silvicultura produz anualmente 38,5 milhões de toneladas de resíduos, sendo 15,7 milhões gerados na colheita em tora e 22,9 milhões pelo processamento mecânico. Esse montante resultaria em 1.604 MW de energia por ano.”

Em quanto aos Resíduos Sólidos Urbanos existe uma solução diferente de um aterro sanitário, que ocupa uma extensa área e tem uma vida útil de apenas 20 anos e que só 50 anos após o encerramento das suas atividades poderá ser utilizado para a construção. A tecnologia da Termovalorização, muito utilizada hoje em alguns países de Europa, trabalha através de um processo de combustão transformando o lixo em energia limpa e renovável. A partir de uma tonelada de resíduos sólidos urbanos domiciliares, pode se produzir de 500 a 600 kWh de energia elétrica. Este processo não só se constitui como um instrumento eco-compatível para a eliminação dos resíduos, mas se apresenta como uma fonte de renda para o municipio, a partir do momento que é perfeitamente possível vender a energia produzida.

Reflexão final: o ambiente pertence a todos e é responsabilidade de cada um de nós cuidarmos dele, mantê-lo e melhorar a qualidade através das diferentes alternativas propostas. Todo cidadão pode fazer muito de sua casa, em seu escritório, mas também é tempo de que o poder público, que é o poder da decisão, se vista de calças longas, assumindo seu compromisso e obrigação, legislando e dando lugar às organizações de classe envolvidas e dedicadas ao meio ambiente, para fazer um trabalho profissional e sustentável.

Eduardo Antonio Marcos

Fundación Saavedra Lamas

www.fundacionsl.org


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