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autor Equipe Agron
07/08/2018 20:25:55 - Atualizado em 08/08/2018 17:30:26 cadastre sua notícia/anúncio grátis

Notícias Ciência e Tecnologia

Tudo sobre a carne artificial

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A carne artificial, ou carne de laboratório, é uma novidade que está mais perto de chegar até você. As proteínas cultivadas in vitro estão na mira dos investimentos de várias empresas e já evoluíram muito desde que o pesquisador holandês Mark Post apresentou ao mundo o primeiro hambúrguer feito com carne artificial, em 2013.

Professor de fisiologia da Universidade de Maastricht, na Holanda, Post desenvolveu a técnica de cultivar células-tronco encontradas em nervos e na pele da vaca, retiradas por pequenas punções indolores aos animais, para que virassem tecidos de gordura e músculos. As células retiradas são colocadas em uma cultura rica em nutrientes e elementos químicos e vão se multiplicando, produzindo inicialmente pequenas tiras de músculo. Depois as tiras são unidas, coloridas e misturadas com gordura, formando um pedaço de carne artificial. Ao todo, o processo demora cerca de 21 dias.

O primeiro teste de Post resultou em uma carne muito seca, pois não continha gordura. Aos poucos, o pesquisador foi refinando sua produção, tanto no sentido de melhorar o gosto e a aparência da carne artificial quanto para diminuir o seu preço. Em 2013, o hambúrguer de Post custou 325 mil dólares e atualmente já tem seu preço estimado em 11 dólares.

Um estudo realizado pelos pesquisadores Matti Wilks e Clive Phillips, da Escola de Psicologia da Universidade de Queensland, em fevereiro de 2017, analisou as opiniões dos americanos em relação à carne cultivada in vitro. 673 pessoas responderam um questionário on-line, no qual foram dadas informações sobre a carne artificial e feitas perguntas sobre suas impressões com relação a ela. 65% dos entrevistados disseram estar dispostos a experimentar a novidade, mas apenas um terço pensa que poderia usá-la regularmente ou para substituir a carne tradicional.

O grande desafio das produtoras é igualar os preços da carne artificial aos da indústria frigorífica, já que parece existir benefícios ambientais. Se conseguir ser acessível, a carne artificial é uma saída limpa para a alimentação do futuro.

A carne artificial é uma possível resposta para os problemas ambientais causados pela pecuária.

Em uma manhã de primavera comum em Columbia, no estado norte-americano do Missouri, Ethan Brown está no meio de uma cozinha comum rasgando uma tira frango. “Olhe para isso”, diz ele. “É incrível!”. Em torno dele, um punhado de trabalhadores robustos de uma fábrica de alimentos do Centro-Oeste do país se inclina e acena com aprovação.

A carne que Brown está cortando parece normal o suficiente: é bege e se separa em longos fios. Não estaria deslocada em uma salada ceasar ou em uma coxinha. Bob Prusha, colega de Brown, está sobre um fogão cozinhando uma porção para todos comerem. Porém, a carne que Brown está mexendo e Prusha está fritando está longe de ser comum. Na verdade, não é carne.

Brown é o CEO da Beyond Meat (“Além da carne”), uma empresa que, há quatro anos, fabrica um substituto feito principalmente de proteínas de soja e ervilha e amaranto.

Carne artificial não é uma ideia nova. Supermercados estão cheios de produtos substitutos à base de plantas – alguns tipos de hambúrgueres vegetarianos entram na lista, isso sem mencionar os asiáticos tofu (“queijo” feito de soja) e seitan (“carne” feita de glúten). O que diferencia a Beyond Meat é quão surpreendentemente parecido com a carne seu produto é. As tiras de “frango” têm a distinta estrutura fibrosa das aves de granja e possuem um perfil nutricional similar. Cada porção tem aproximadamente a mesma quantidade de proteína que uma porção equivalente de carne de frango, mas com zero colesterol ou gorduras saturadas e trans.

Para Brown, há pouca diferença entre seu produto e a coisa real. “Galinhas de granjas industriais não são realmente tratadas como animais”, afirma ele. “Elas são máquinas que transformam insumos vegetais em peitos de frango”. A Beyond Meat simplesmente utiliza um sistema de produção mais eficiente. No lugar de um quilo de frango desossado cozido que requer quase 3,5 kg de ração seca e 30 litros de água, a mesma quantidade da Beyond Meat requer apenas 0,5 kg de ingredientes e dois litros de água.

A capacidade de criar carne de forma eficiente, ou algo suficientemente parecido com carne, se tornará cada vez mais importante nos próximos anos, porque a humanidade pode estar chegando a um ponto em que não há proteína animal suficiente. A ONU espera que a população mundial cresça dos atuais 7,2 bilhões para 9,6 bilhões até 2050. Além disso, conforme países como a China e a Índia continuam a se desenvolver, as suas populações estão adotando dietas mais ocidentais. Em todo o mundo, a quantidade de carne consumida por pessoa quase dobrou de 1961 a 2007, e a ONU projeta que irá dobrar novamente até 2050.

Em outras palavras, o planeta precisa repensar a forma como obtém sua carne. Brown está abordando a questão fornecendo um análogo quase perfeito, mas ele não está sozinho ao reinventar produtos de origem animal. Do outro lado da mesma cidade, a Modern Meadow usa impressoras 3D e engenharia de tecidos para cultivar carne em laboratório. A empresa já tem uma geladeira cheia de carne bovina e suína cultivada em laboratório. Na verdade, o cofundador da empresa, Gabor Forgacs, fritou e comeu um pedaço de carne de porco projetada no palco em sua palestra no TED Talk em 2011. Outro cientista, Mark Post, da Universidade de Maastricht, na Holanda, também está usando engenharia de tecidos para produzir carne em laboratório. Em agosto, ele serviu hambúrguer totalmente cultivado em laboratório em dois jantares em um palco de Londres enquanto uma multidão de curiosos, mas céticos, observava.

Vendo de perto, a fábrica da Beyond Meat é bastante semelhante a qualquer outra. Máquinas de metal anódino batem ao longe. Ingredientes são armazenados em barris plásticos. Em uma pequena esteira azul, tiras de frango de Brown emergem da maquinaria cozidas e com um formato estranhamente retilíneo. Eles ainda não estão temperadas, mas estão prontas para comer. No final da correia transportadora, as faixas ainda fumegantes caem sem cerimônia dentro de um balde de aço, onde pousam com um baque surdo.

Olhando para o balde cheio de tiras pré-cozidas, é difícil imaginar um futuro em que a carne, por necessidade, não é carne. Ou em que a carne é cultivada em uma fábrica em vez de um campo ou em confinamento. Contudo, esse futuro está se aproximando rapidamente e tanto a Beyond Meat quanto a Modern Meadow estão o confrontando de cabeça.

Consumo nada sustentável

A cada ano, os norte-americanos comem mais de 200 quilos de carne por pessoa, e o meio do Missouri é um lugar bom para ver o que é preciso para satisfazer este apetite.

Columbia fica exatamente no centro do estado, de modo que se aproximar do local a partir de qualquer direção significa passar por enormes extensões de terras agrícolas, soja, campos de trigo e milho e rebanhos de gado de pastagem. Paradas de caminhões gigantescas brilham no horizonte e trens com quilômetros de extensão rebocam vagões carregados com grãos que vão para lugares tão distantes como o México e a Califórnia.

É um lugar rico que por quase 150 anos tem alimentado a nação e exportado. No entanto, a maioria das culturas cultivadas em torno de Columbia nunca vai chegar a mesas da sala de jantar, mas sim irá para cochos de confinamento gigantes. Isso não é incomum. Cerca de 80% das terras do mundo são usadas para apoiar as indústrias de carnes e aves e muito disto vai para a alimentação animal. Este não é um uso eficiente dos recursos. Por exemplo, cerca de meio quilo de carne cozida, o equivalente a uma refeição em família de hambúrgueres, requer 298 metros quadrados de terreno, 27 quilos de ração e 211 litros de água.

O fornecimento de carne não só devora recursos, mas também cria resíduos. Esse mesmo quilo de hambúrguer requer mais de 4.000 BTUs de energia de combustíveis fósseis para chegar à mesa do jantar; algo tem que alimentar tratores, confinamentos, matadouros e caminhões. Esse processo, juntamente com o metano que as vacas emitem ao longo das suas vidas, chega a contribuir com 51% de todo o gás de efeito de estufa produzido no mundo.

Para entender como os seres humanos desenvolveram uma tal dependência de carne, é útil começar pelo começo. Há vários milhões de anos, os hominídeos tinham grandes entranhas e cérebros menores. Isso começou ser revertido em torno de dois milhões de anos atrás: o cérebro ficou maior, assim com o estômago ficou menor. A principal razão para a mudança, de acordo com um estudo seminal de 1995 realizado pela antropóloga evolucionária Leslie Aiello, então da University College London, é que nossos ancestrais começaram a comer carne, uma fonte de calorias compacta e de alta energia. Com a carne, os hominídeos não precisaram manter um sistema digestivo grande e consumidor de muita energia. Em vez disso, eles puderam desviar a energia para outro lugar. Ou seja, alimentaram grandes cérebros com fome de energia. E com esses cérebros, eles mudaram o mundo.

Conforme o tempo avançava, a carne tornou-se culturalmente importante também. A caçada fomentava a cooperação: cozinhar e comer a caça reuniu comunidades ao redor de rituais compartilhados – como ainda fazem os churrascos de domingo. Neal Barnard, um autor de nutrição e médico da Universidade George Washington, afirma que hoje o apelo cultural de carne supera quaisquer benefícios fisiológicos. “Nós já sabíamos há muito tempo que as pessoas que não comem carne são mais magras, mais saudáveis e vivem mais tempo do que as pessoas que o fazem”, garante ele.

Nutricionalmente, a carne é uma boa fonte de proteínas, ferro e vitamina B12, entretanto Barnard diz que esses nutrientes estão facilmente disponíveis a partir de outras fontes que não são também carregadas de gorduras saturadas. “Por milênios de nossa jornada na Terra, temos consumido proteína o bastante a partir de fontes totalmente baseadas em vegetais. A vaca obtém sua proteína desta forma e simplesmente a reorganiza em músculo. As pessoas dizem: ‘Nossa, se eu não comer o músculo, de onde vou receber proteína?’ Você obtê-la a partir do mesmo lugar que a vaca”.

Para Barnard, a conclusão simples é que todos deveriam se ater a comer vegetais – e ele está certo de que seria um uso muito mais eficiente de todas aquelas terras cultiváveis. Ainda assim, para a maioria das pessoas a carne tem um gosto bom. Estudos sugerem que a ingestão de carne ativa o centro de prazer do cérebro praticamente da mesma forma que o chocolate. Mesmo muitos vegetarianos dizem que bacon cheira muito bem quando se está cozinhando. Por alguma razão, a maioria das pessoas simplesmente gostam de comer carne. E isso faz recriá-la, seja a partir de vegetais ou de células em um laboratório, extremamente difícil.

Fonte: Diversas fontes: Adaptado por equipe Agron (hypescience, Por Bruno Calzavara e Guilherme de Souza; Ecycle, por Bruna Buzzo; e, UOL, por Lucas Gabriel Marins)


TAGS biologia , Carne , futuro , artificial , vegetariano


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