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autor Cristina Crispa
31/07/2018 10:30:12 - Atualizado em 31/07/2018 10:30:12 cadastre sua notícia/anúncio grátis

Notícias Agricultura e Pecuária

Corrida contra o tempo para erradicar inseto invasor

Corrida contra o tempo para erradicar inseto invasor que come tudo pela frente.

Desembarcada nas Américas há apenas quatro anos, Mosca de Lanterna tem habilidade de se alimentar de uma enorme variedade de plantas, incluindo muitas de valor comercial.

Para a maioria das pessoas, os brotos e botões de abril são arautos bem-vindos da primavera no Hemisfério Norte, mas para alguns agricultores e cientistas no sudeste da Pensilvânia, esses sinais marcam o início de uma longa temporada de pavor.

Sua preocupação é a Lycorma delicatula, a mosca de lanterna, praga invasiva com um apetite voraz e notáveis talentos reprodutivos.

Nativo da Ásia, o inseto apareceu pela primeira vez na Pensilvânia em 2014. Apesar de uma quarentena, também foi descoberto em pequenas quantidades em Nova York, Delaware e Virgínia.

Em sua área nativa, eles se alimentam principalmente de um tipo de árvore, a Ailanthus, ou árvore do céu – que também é uma espécie invasora, comum em todos os EUA, por isso os entomologistas temem que a mosca um dia se espalhe para cantos mais longínquos do país.

A epidemia seria um desastre, acreditam alguns cientistas. Entre as qualidades mais alarmantes do inseto está sua habilidade de se alimentar de uma enorme variedade de plantas, incluindo muitas de valor comercial.

Acredita-se que utilizem pelo menos 40 espécies nativas dos Estados Unidos como hospedeiras. Eles gostam em particular de videiras e macieiras, além de várias árvores de madeira dura, como nogueira e bordo.

“Já os vimos no lúpulo, em algumas das culturas de grãos, soja, e várias outras. Eles podem se alimentar de muitas, muitas coisas diferentes”, disse o secretário-adjunto da agricultura na Pensilvânia, Fred R. Strathmeyer Jr.

Mesmo sendo muito cedo para avaliar o tamanho dos danos que a mosca de lanterna pode causar em longo prazo, ela é capaz de dizimar certas culturas em uma única temporada.

“Já estão aparecendo nas uvas, e temos relatos de produtores com perdas de 90 por cento no ano passado”, disse Julie Urban, pesquisadora da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Além disso, ela tem uma capacidade incomum de colocar ovos em praticamente qualquer superfície. Enquanto outras espécies tendem a depositá-los em uma planta viva ou no solo próximo a ela, o inseto pode colocar vários ovos praticamente em qualquer lugar: rodas de carro, vagões de trem, contêineres.

Inspetores agrícolas no estado começaram até a verificar colmeias em busca de seus ovos.

“A maioria das pragas deposita ovos em sua planta hospedeira, ou perto dela, pois assim têm comida disponível”, disse Surendra Dara, conselheiro da Extensão Cooperativa da Universidade da Califórnia.

“Aqueles que conseguem pôr ovos em lugares que não sejam plantas obviamente têm uma melhor chance de sobreviver e se espalhar”, acrescentou.

Para tentar conter a mosca, reguladores criaram uma zona de quarentena na Pensilvânia que agora se estende por mais de 7.700 quilômetros quadrados (eram apenas 450 em 2016), abrangendo 13 condados e a Filadélfia.

O estado proíbe a movimentação de determinados itens dentro dessa área, incluindo lenha, móveis de jardim e restos de materiais de construção. As autoridades lançaram também um programa de licenciamento para empresas que transportam mercadorias para fora de seus limites.

“Não é apenas um problema agrícola. Na verdade, é uma questão comercial generalizada, porque queremos evitar que ela se espalhe. São as pessoas comuns, é a empresa de transporte rodoviário, o motorista da UPS, os entregadores”, disse Strathmeyer.

Batalha difícil

Em fevereiro, o Departamento Federal de Agricultura também entrou em cena, destinando US$17,5 milhões em um financiamento de emergência para pesquisa e para ajudar na quarentena.

Muitos cientistas que estudaram o inseto temem uma batalha difícil no futuro, dado o ritmo em que as populações vêm crescendo até agora.

“Em termos de reprodução, eles são incrivelmente prolíficos. Na primeira vez em que fomos a campo, em 2015, tivemos que caçar as desovas, mas, nos anos seguintes, o número aumentou exponencialmente” disse Michael Saunders, professor emérito de Entomologia na Universidade Estadual da Pensilvânia.

“Já passei por algumas ondas de espécies invasoras, e esta é, de longe, a coisa mais incrível que já vi”, disse.

A Coreia do Sul é o único outro país no qual a mosca de lanterna é uma praga introduzida. Ela foi observada pela primeira vez em 2004, e seu efeito na agricultura se tornou um alerta.

“Espalhou-se por todo o país em três anos e ainda é um problema por lá”, disse Urban.

Como os pulgões, o inseto se alimenta da seiva das plantas e excreta a maior parte dos carboidratos que consome na forma de um líquido pegajoso como xarope. Essa secreção promove o crescimento de fungos, que podem arruinar a plantação e cobrir as folhas, bloqueando a luz solar e matando as plantas.

Em áreas residenciais, ela pode cobrir jardins e varandas e sua consistência açucarada atrai mosquitos, abelhas e outros insetos indesejados.

“Vi estalagmites desse xarope endurecido no chão. Se você é um entomólogo, isso é espetacular, mas se é o proprietário e encontra isso no seu quintal, é um pesadelo”, disse Saunders.

O inseto está basicamente contido na Pensilvânia até agora, por isso alguns especialistas esperam que ainda possa ser erradicado através dos meios tradicionais.

Vários inseticidas estão sendo testados. Em março, legisladores de Maryland apresentaram um projeto de lei para proibir o clorpirifós, pesticida considerado inseguro pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) alguns anos atrás, antecipando a necessidade de usá-lo para combater a mosca da lanterna nos próximos meses.

Pesquisadores também começaram a estudar os predadores naturais do inseto na Ásia, para talvez trazê-los para os Estados Unidos. Várias espécies de vespas parasitas estão sendo consideradas como um método de controle biológico, embora essa estratégia normalmente só seja prática quando a espécie invasora está estabelecida.

“O controle biológico é uma opção que você adota depois que a erradicação foi excluída”, disse Kim Hoelmer, pesquisados entomologista do Departamento de Agricultura.

Os cientistas também estão ponderando soluções mais experimentais.

Guerra genética

A equipe de pesquisadores da Universidade do Kentucky está explorando o uso da interferência de RNA, ou RNAi, para desenvolver um novo inseticida. A tecnologia funciona silenciando a expressão de genes críticos para as funções vitais, como o movimento, mas que também são exclusivos de uma determinada espécie de inseto.

No ano passado, a EPA aprovou os primeiros inseticidas baseados em RNAi para uso contra outra praga, a lagarta-da-raiz do milho.

“O RNAi é uma das formas de controle de insetos com alvos precisos, sem prejudicar o meio ambiente”, disse Subba Reddy Palli, professor de Entomologia da Universidade do Kentucky.

Ele tem se revelado ineficaz contra outros tipos de insetos, especialmente de muitas espécies de borboletas e mariposas, mas as primeiras indicações são de que a mosca da lanterna pode ser afetada.

Porém, com soluções mais sofisticadas ainda a anos de distância, quem trabalha para deter o avanço do inseto se concentra no presente.

Se as tendências continuarem, esta temporada poderá oferecer uma previsão importante da possível gravidade do problema.

“2018 vai ser um ano crítico para descobrirmos se seremos capazes de conter, suprimir e finalmente erradicar ou não essa praga”, disse Osama El-Lissy, administrador adjunto de proteção e quarentena botânica do Departamento da Agricultura.

“Os próximos meses serão cruciais.”

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TAGS inseto , invasor , mosca , lanterna , prejuízos


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