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autor Otavio Culler
14/06/2018 11:02:12 - Atualizado em 14/06/2018 11:06:18 cadastre sua notícia/anúncio grátis

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Tornados em série no norte do Rio Grande do Sul

Imagens reforçam hipótese de tornados em série no Rio Grande do Sul.

Imagens aéreas reforçam hipótese de tornados em série no norte do RS. Estragos atingiram praticamente somente as áreas rurais das cidades.

Imagens aéreas registradas nesta quarta-feira (13) na Fazenda Baseggio, no município de Coxilha, reforçam a hipótese de que tornados em série tenham atingido o norte do Rio Grande do Sul na última tempestade.

Localizada às margens da RS-434, a propriedade foi o epicentro da destruição. De acordo com o meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, uma das principais evidências está nos troncos de árvores quebrados ao meio. Trata-se de uma característica típica de um evento climático como um tornado.

— Além disso, algumas estruturas da fazenda aparecem retorcidas ou completamente destruídas ao lado de outras totalmente intactas, indicando um rastro por onde passou o fenômeno — afirma Oliveira.

Para o especialista, os registros afastam a possibilidade de que uma microexplosão tenha afetado a área. Isso porque o fenômeno opera como se um copo de água fosse virado no chão, provocando estragos em forma de clareira e arrancando árvores pela raiz.

— Acreditamos na hipótese de família de tornados (ou tornados em série) porque registramos vários eventos, aproximadamente seis, com características semelhantes às das fotos espalhados pelo Estado. As imagens mostram o efeito da passagem de apenas um deles, provavelmente o mais intenso — acrescenta o meteorologista.

Os estragos atingiram praticamente somente as áreas rurais das cidades. Segundo Oliveira, tornados são mais comuns em campos abertos porque terrenos planos e menos rugosos facilitam a formação do evento. Em localidades onde há grande número de construções, a superfície irregular dificulta o desenvolvimento do fenômeno.

Integrantes do programa de pós-graduação em Meteorologia da Universidade de Santa Maria (UFSM) também analisaram imagens aéreas do local, enviadas por GaúchaZH. O meteorologista Vagner Anabor, um dos professores do grupo, afirmou que existem "fortes indícios" de que um tornado atingiu a região.

Segundo ele, o espalhamento dos destroços indica "giro no vento", uma das características desse tipo de fenômeno:

— Em eventos associados a tornado, observamos torções em estruturas metálicas e espalhamento de destroços de forma radial em direções variadas. Essas imagens mostram algumas dessas características.

Conforme o entendimento do professor, a hipótese de microexplosão perde força nesse caso, pois esse tipo de fenômeno costuma direcionar os estragos para apenas uma direção. Anabor destaca que somente com análise no local do evento é possível confirmar, com exatidão, a passagem do tornado pela região. Uma equipe do programa de pós-graduação em Meteorologia da universidade se deslocará até a área para fazer uma análise mais detalhada do cenário.

Uma visita ao epicentro da destruição causada pela tempestade em Coxilha

Fazenda Baseggio ficou no centro do evento climático que assolou o norte gaúcho. O vento pegou a propriedade de frente, arrastando tudo o que encontrou em um trecho de 700 metros de largura.

Passava da meia-noite de segunda-feira (11) quando William Trindade Silva, 27 anos, ouviu um estrondo. Acordado pelo susto, abriu os olhos e viu o telhado de casa ser arrastado pelo vento. Lá fora, o barulho era descomunal. William pegou a mulher, Franciele, e a filha Natascha, de cinco anos, e procurou abrigo no banheiro. Quando entrou, uma tora de madeira atravessou a parede de tijolos e derrubou o vaso sanitário.

O caseiro correu com a família para a cozinha, mas o vento arrancou a porta que dava para a rua. Apavorado, ele virou a mesa de jantar para um canto da parede, protegendo a mulher a filha. Quando saiu à rua em busca de socorro, em meio ao breu da noite e à chuvarada que lhe turvavam a visão, viu a ventania arrastando árvores inteiras, retorcendo silos e devastando o galpão de 1 mil metros quadrados onde seu patrão estocava milho, trigo, feijão e soja.

— Era vento, relâmpago e chuva. Os cachorros latindo sem parar, tudo destruído. Uma tristeza só — relata.

William trabalha de caseiro na Fazenda Baseggio, propriedade de 10 hectares às margens da RS-463, em Coxilha. O local parece ter sido o ponto exato onde se formou um dos tornados que teriam atingido a região norte do Estado. Mais cedo, por volta das 20h, William já havia ajudado um dos patrões, Diovan Baseggio, a recolher lonas para proteger outra propriedade da família, a poucos quilômetros de distância e também atingida pelo vento forte na mesma noite.

— Eu vim aqui buscar material para tapar uns galpões e umas máquinas. Lá destruiu bastante, mas não tinha muito o que fazer àquela hora. Fui pra casa, em Passo Fundo, e me deitei. Por volta da meia-noite, me telefonaram dizendo que aqui também estava tudo derrubado — conta o produtor rural.

Se a casa de William ficou em pé, do resto da fazenda, pouco sobrou. Os silos foram retorcidos pelo vendaval. Os elevadores desabaram. O telhado do galpão principal ficou espalhado pelo campo. Um galpão menor, de tijolos, foi ao chão. Chiqueiros e galinheiros estavam destroçados. Onde antes havia um galpão de madeira, escombros escondiam dois tratores, uma plantadeira e um pulverizador.

A mata de plátanos, pinus, eucaliptos e pinheiros que circundava o imóvel se transformou em um amontoado de galhos e troncos trançados pela ventania avassaladora, em meio a pedaços de metal, zinco e brasilit. No chão, em meio ao barro, um cão e um gato foram encontrados mortos. Nem mesmo um casal de pôneis das filhas de um dos sócios, Valquírio Baseggio, escapou da fúria da natureza. O macho foi encontrado morto a cerca de 800 metros da mangueira. A fêmea não havia sido encontrada até o final da manhã desta quarta-feira (13). Uma minivaca comprada no Pantanal também não resistiu e morreu, golpeada por um pinheiro.

A impressão é de que a fazenda dos Baseggio ficou no centro do evento climático que assolou a região. O vento pegou a propriedade de frente, levando tudo em um trecho de cerca de 700 metros de largura. Quem percorre a rodovia saindo de Coxilha rumo a Tapejara enxerga poucos sinais de destruição até chegar ao local. Ali, contudo, o desalento é total.

Valquírio Baseggio estava em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, quando foi avisado do temporal. Pegou a estrada e dirigiu por 1,2 mil quilômetros até Coxilha. Ao chegar, na terça-feira (12) à noite, desolado pela destruição e sem ter como dar início ao trabalho de reconstrução, foi para casa, em Passo Fundo. Não conseguiu dormir. Por volta das 3h desta quarta, seguiu para a fazenda e começou a trabalhar.

— Não dava para enxergar quase nada. Mas não consegui ficar em casa. Foi meu pai quem começou isso aqui, em 1953. Agora está tudo acabado. Vou levar de quatro a cinco anos para reconstruir tudo de novo — lamentava, estimando um prejuízo entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.

Auxiliados por amigos e vizinhos, os Baseggio tentavam amenizar as perdas retirando os grãos estocados no que restou dos galpões e dos silos. Funcionários e voluntários cortavam as árvores caídas e limpavam o terreno. Para os quatro irmãos que administram a propriedade, é tempo de recomeçar.

— Meu Deus do céu, a gente olha e só vê tudo caído, retorcido, acabado. Mas vamos lá, tentar fazer tudo de novo. Não vai ser fácil — sentencia Valquírio.

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Fonte: Gauchazh.clicrbs.com.br Imagens: Lauro Alves / Agencia RBS.


TAGS imagens , hipótese , tornados , em série , Rio Grande do Sul


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