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autor Aldo Cesar
11/09/2018 16:22:17 - Atualizado em 11/09/2018 16:22:17 cadastre sua notícia/anúncio grátis

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O dilema amazônico

 

Em 2018, o desmatamento na região amazônica deverá desvastar entre 6 mil e 7 mil km2, de acordo com previsão do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. Essa extensão equivale a mais de quatro vezes a área da capital de São Paulo, de 1.521 km2, onde vivem quase 13 milhões de habitantes. Ou seja, em apenas um ano será desmatado um território que, se tivesse a mesma densidade populacional da maior cidade do Brasil, seria capaz de abrigar quase 60 milhões de pessoas.

A comparação pode parecer sem sentido, mas dá uma ideia da dimensão do avanço do desmatamento na Amazônia Legal, uma região ambicionada para quem defende o aumento das áreas destinadas à agricultura e à pecuária no país. O principal argumento para justificar o aproveitamento dessas terras pelo agronegócio é a necessidade de produção de alimentos para uma população que não para de crescer.

Do outro lado, levantam-se as vozes que lutam pela preservação da maior floresta tropical do mundo, por motivos óbvios: a Amazônia sequestra carbono, influencia as chuvas, ajuda a estabilizar o clima, é importante para o equilíbrio ambiental e abriga a maior biodiversidade do planeta, entre outros fatores. Se não bastasse, a floresta amazônica se estende por oito países e responde pela produção de 20% do oxigênio da Terra.

Surge, então, a grande dúvida: é possível conciliar o aumento da área de produção de alimentos na Amazônia e a preservação da floresta? Como não existe uma resposta definitiva, a questão provoca infindáveis polêmicas e, em março, foi o tema principal do Exame Fórum Amazônia, realizado em Porto Velho, capital de Rondônia. Promovido pela revista Exame, o evento reuniu ambientalistas, políticos e representantes de entidades, que concordaram ser difícil mas viável reduzir o desmatamento e, ao mesmo tempo, aumentar a produção agrícola.

A avaliação se baseia, entre outros motivos, no próprio mercado, como destacou o governador de Rondônia, Confúcio Moura: “A sustentabilidade cresce no Brasil como exigência de mercado, e não só das instituições. O mercado é seletivo, exigente. O mundo só compra o que é conveniente, e a preocupação com a origem dos insumos é cada vez maior”, afirmou no fórum. Essa é a mesma opinião do especialista em políticas públicas da WWF, Frederico Machado: “Os produtos agrícolas fora de áreas de desmatamento e com boas práticas de produção são valorizados pelo consumidor estrangeiro, em especial na Europa”, disse ele.

Uma das preocupações recorrentes dos ambientalistas é a pecuária, já que as terras de pastagem ocupam cerca de 60% das áreas devastadas da região. Em 2016, o rebanho bovino na Amazônia era de aproximadamente 85 milhões de cabeças, mais do dobro do que havia em 1995. Em geral, quando o solo dos pastos se esgota, ocorrem os desmatamentos, primeiro para a retirada ilegal de madeira, depois para a abertura de novas áreas de pastagem.

O que se cobra é uma legislação mais efetiva, que saia do papel e seja efetivamente posta em prática. Valdemar Camata Júnior, superintendente do Sebrae de Rondônia, observou: “Boa parte dos produtores rurais está inclinada a atuar na recuperação ambiental, pois o Código Florestal deixa claro quais são as punições para quem não o cumpre. Mas é preciso ir além e discutir quais serão os benefícios para quem preservar a floresta”.

Uma das reivindicações dos ambientalistas é a harmonização das legislações que vigoram nos estados localizados na Amazônia, especialmente em relação aos incentivos concedidos a quem produz sem devastar a floresta. O Acre serve como referência, por ter uma política definida e em aplicação, para premiar quem protege o meio ambiente e reduz as emissões de carbono.

Igualmente positiva é a aproximação que vem ocorrendo entre os empresários e as ONGs que se concentram na defesa da natureza, que pode ser capaz de produzir efeitos nas políticas públicas. “Vivemos um momento de modificação da cultura das instituições em prol do crescimento do agronegócio aliado às tecnologias”, disse Alaerto Luiz Marcolan, agrônomo e pesquisador da Embrapa em Rondônia.

Não é nada fácil vencer esse desafio, mas a discussão está aberta e tem tudo para amadurecer nos próximos anos. A preservação da Amazônia deixou de ser um assunto restrito aos ambientalistas e demais defensores da natureza para se tornar um relevante tema político, que interessa, sobretudo, aos produtores rurais. Afinal, não é bom para ninguém matar a galinha dos ovos de ouro.

 


TAGS desmatamento , preservação , Amazônia , Ecologia , sustentabilidade


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