busca
| | |




Você está em
autor Selmos
27/11/2009 20:32:38 - Atualizado em 03/12/2009 01:34:54 cadastre sua notícia/anúncio grátis

Notícias Notícia

Stuhlberger crítica o expansionismo fiscal no brasil

Considerado um dos melhores - senão o melhor - gestores de recursos do Brasil, Luís Stuhlberger, da Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG), está muito preocupado os rumos da política econômica. Ele acha que o País está num quadro de "contínua deterioração fiscal, populismo, assistencialismo e perda da competitividade".

Esses são termos que Stuhlberger usou num relatório recente, com o nome de 'A angústia clássica de um gestor/Brasil: Deterioração de Fundamentos X Market Timing'. O documento aborda o contraste entre a euforia dos investidores internacionais, que estão "in love com o Brasil", e a visão de Stuhlberger de que "a crise internacional serviu como justificativa para o governo cometer vários retrocessos que afetam a consistência da nossa política macro". As suas críticas dirigem-se basicamente ao expansionismo fiscal, especialmente nos gastos correntes, e a tendência de maior intervencionismo estatal na economia.

O relatório da CSHG circulou no Banco Central (BC) e no Ministério da Fazenda. Uma preocupação da equipe econômica é que Stuhlberger é considerado muito influente no mercado financeiro nacional. Para ele, "os mercados teimam em ignorar todos esses sinais, concedendo um waiver (perdão) gigante para as decisões equivocadas do governo". "A abundância de liquidez internacional e o elevado grau de confiança que o Brasil conquistou nos últimos anos contribuem para essa atitude leniente dos investidores em relação aos últimos passos da política econômica."

Uma das grandes preocupações do gestor é o que ele chama de "política parafiscal": a expansão de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos demais bancos públicos, empurrada por empréstimos do Tesouro. Para ele, "a Fazenda descobriu uma estratégia para o Tesouro repassar os recursos para os bancos públicos sem afetar a dívida líquida". Isso é possível, ele explica, porque a operação entre duas partes do setor público é neutra em termos de endividamento líquido, mas aumenta a dívida bruta.

Segundo os dados citados no relatório, os repasses do Tesouro para o BNDES somavam R$ 137 bilhões até setembro. A dívida bruta, por sua vez, aumentou de 54,8% do PIB em junho de 2008 para 66,5% em setembro de 2009. Stuhlberger ressalva que nem todo esse aumento é causado pelos repasses do Tesouro, mas deriva também do enxugamento de reais usados na compra de dólares pelo Banco Central (BC) e da absorção de depósitos compulsórios.

Mas ele considera preocupante que o governo sinalize novos repasses para o BNDES e para a Petrobrás, que totalizariam mais R$ 200 bilhões. Essas capitalizações ainda por vir farão com que a dívida bruta do setor público, segundo os cálculos do gestor, salte para 70% do PIB, bem acima da média de 43% dos emergentes.

No relatório, Stuhlberger critica também os reajustes ao funcionalismo federal no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os quais considera "totalmente fora da realidade". Ele menciona que o aumento real do funcionalismo federal variou de 12,1% a 61,8% de 2002 a 2009, ao mesmo tempo em que o salário médio da economia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve ganho médio anual de 0,4%.

Já os chamados "pagamentos diretos a pessoas", que incluem a despesa de pessoal, Previdência, seguro-desemprego e benefícios assistenciais, subiram de 73% para 79% dos gastos totais do governo de 2002 a 2009. Aquele termo foi criado pelo economista Raul Velloso para caracterizar os gastos do governo que consistem simplesmente em transferir dinheiro para indivíduos. Para Stuhlberger, a queda do superávit primário em 2009 é permanente (ele prevê 1,5% do PIB em 2010).

Outra preocupação do executivo da CSHG é o baixo nível de investimentos do setor público brasileiro, que atingiu apenas 5% dos gastos totais em 2008: "A falta de investimentos em infraestrutura é um dos principais fatores que afetam a margem de nossas empresas, reduzindo nossa competitividade". Ele menciona um levantamento do Banco Mundial e de vários economistas, que coloca o Brasil em último lugar em termos de investimentos como proporção do gasto público, atrás de emergentes como África do Sul, Turquia, Chile e Estônia, todos com cifras acima de 10%.

Notando que o crescimento médio do Brasil ainda não se compara com o de outros países que viraram casos de sucesso internacional, o relatório critica também o marco regulatório do pré-sal, os projetos de fortalecer a Eletrobrás e a Telebrás e as investidas do governo contra a Vale do Rio Doce.

Fonte: Fernando Dantas,  O Estado de S.Paulo


TAGS preço



Comentários



Agron © 2016
Agronegócios online
Desenvolvido por Agron sob consultoria especializada criodigital | todos os direitos reservados.