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autor Selmos
20/11/2009 22:45:01 - Atualizado em 20/11/2009 22:45:02 cadastre sua notícia/anúncio grátis

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Câmbio tira competitividade da carne brasileira

Brasil ganhou fama, nos últimos anos, por sua competitividade na produção e exportação de carnes. A razão para a alardeada vantagem competitiva eram as condições mais favoráveis de produção no país - custos menores de produção e disponibilidade de terras, por exemplo. Esse cenário sozinho, porém, já não garante um bom desempenho lá fora. A recente alta do real em relação ao dólar, mostra que o comportamento da moeda americana também é fundamental para a competitividade no segmento de carnes, de acordo com exportadores e analistas de mercado.

Ocorre que o real mais caro tem elevado os preços da matéria-prima em dólar em relação aos concorrentes, onde as moedas locais não estão tão valorizadas.

Diante disso e de uma demanda que ainda não se recuperou totalmente no mercado internacional por causa da crise, as exportações de carnes do país recuaram 24,1% de janeiro a outubro, para US$ 9,689 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2008, segundo o Ministério da Agricultura.

"Boa parte disso é por causa da crise, mas a queda do dólar está atrasando a retomada", afirma Otávio Cançado, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec).

Uma fonte da indústria de carne diz que esse quadro torna o mercado internacional menos atrativo pois não vale a pena exportar alguns cortes bovinos, nas atuais cotações, se o preço da matéria-prima em dólar está alto. "Não somos competitivos com dólar baixo".

Os exportadores de carne de frango e de carne suína também se queixam da perda de competitividade. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, com o dólar baixo o Brasil deixa de ser competitivo e fica mais vantajoso vender no mercado doméstico, onde o consumo vem melhorando. Enquanto isso, os EUA, dono da moeda desvalorizada, podem ampliar suas vendas para Rússia e Hong Kong, concorrendo com o produto brasileiro, afirma.

Crítico desde sempre do câmbio valorizado, Camargo Neto avalia que o dólar baixo "coloca em risco o setor produtivo nacional".

Joesley Batista, presidente da JBS S.A, avalia que a desvalorização do dólar estimula as exportações de carnes dos EUA. O quadro é favorável para a JBS, "com a queda do dólar, a exportação de frango a partir dos Estados Unidos, que não é exportador tradicional, passa a ser competitiva", afirma Batista. A empresa, que já tinha operações de bovinos e suínos nos EUA, acaba de entrar no segmento de frango com a compra da Pilgrim's Pride.

A empresa não é a única a se beneficiar da estratégia de internacionalização. A Marfrig também tem operações na Argentina (como a JBS) e no Uruguai e, no passado, já recorreu à ampliação do abate nos dois países porque havia escassez de oferta no Brasil.

Fonte: Alda do Amaral Rocha,  Valor Econômico


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